Entrevistas  

Téc. da ADM. Marília - Prof. Nelson Mach

1) Como vc começou no Tênis de mesa?
Nelson: Como atleta comecei com 10 anos no Clube dos Bancários de Marília. Cheguei a ser convocado para a Seleção Paulista Infantil em 1985.Como treinador iniciei minhas atividades também no Clube dos Bancários de Marília em 1989.

2) O que vc acha do desenvolvimento do Tênis de Mesa brasileiro? O que fazer para melhorar?
Nelson: Acho que o Tênis de Mesa brasileiro apesar de tudo, está crescendo em quantidade mas não em qualidade. Qualidade apenas o Maurício Kobayashi conseguiu fazer conquistando sozinho com seus atletas e com os pais dos atletas 4 títulos Pan-Americanos.
Para melhorar, quem dirige nosso esporte em níveis nacionais e estuduais, precisam concientizar-se que nosso esporte não é de "propriedades deles" e sim dos "clubes" ou seja de todos nós.
Precisamos primeiro acertar questões internas e politicas que vem atrapalhando nosso esporte para depois sim pensarmos em Tênis de Mesa de Alto Nível. Diferenças existes, mas lá fora posso dar o exemplo da França, pois meu amigo Michel Blondel é o treinador da Sel. da França, e disse que lá também existem problemas politicos, mas eles não interferem na estrutura e no sistema de eventos e em um modelo consistente para se ter um Tênis de Mesa de Alto Nível.
Por exemplo: no último campeonato Brasileiro de Menores em São Paulo, quantos estados jogaram? 8 ou 9? O Brasil possui 27 estados, portanto acredito que teremos somente um dia o Brasil entre os melhores do mundo quando todos os 27 estados jogar por exemplo o Campeonato Brasileiro.
Fiquei sabendo por exemplo que em Março houve o Campeonato Sul-Americano Juvenil e Juventude no Equador. Isso foi divugado? Claro que não! Por que? Vcs acham justo ter um Sul-Americano e o Brasil não jogar?

3) Vc acredita que o surgimento de tantas Ligas Regionais pode ajudar o desenvolvimento do TM?
Nelson: Claro que sim!!!! Isto não acontece só no Brasil e no Tênis de Mesa. Existem ligas em todos os grandes países do mundo e em todas as modalidades esportivas.

4) O que é e como surgiu a ADM-Marília?
Nelson: Surgiu de uma idéia minha em unir todos os clubes de Tênis de Mesa de Marília. Mas os outros clubes não entenderam a filosofia no dia 1º de Agosto de 1996 e é só olhar como eles estão hoje no que se refere Tênis de Mesa. A ADM-Marília graças à Deus é uma realidade nacional. Exportamos nossa tecnologia de treinamentos e de trabalho para outras cidades:
ADM-Marília
ADM-Tupã
ADM-Osvaldo Cruz
ADM-Petrópolis
E estamos abertos para quem quiser fazer parte deste trabalho.

5) Quais seus novos projetos para essa temporada 2002?
Nelson: Estarei levando minha nova geração de atletas para fazer um estágio de 15 dias em agosto na França com o Michel Blondel. Em janeiro estaremos promovendo com ele em Marília mais uma Clinica Internacional de Tênis de Mesa. Mas agora ela será muito limitada. Convidaremos apenas nossos amigos. Como vcs, o pessoal de Santos, de São Paulo, etc, que acreditaram que esta clinica não era negócio para ganhar dinheiro, mas sim ganhar um contato internacional para nós aqui no Brasil que é tão carente.


6) Como sabemos a ADM tem uma parceria com o Levallois, da França. Fale-nos da estrutura desse clube francês?
Nelson: O Levallois possui 30 anos de existência. Foi criado por um treinador sensacional que se chama Marcel Elbaz. Ele é como o nosso Maurício Kobayashi. Abdicou sua vida pelo Tênis de Mesa. Esta foi a primeira fase do Levallois. Que em 15 anos chegou a ser um dos principais clubes da França.
Em 1990 mais ou menos Michel Blondel entrou no Levallois para ser mais um treinador como o Marcel. Daí para frente eles melhoraram muito o clube. Como o Michel morou 3 anos no Japão, trouxe uma grande bagagem internacional pois lá trabalhou com treinadores da China e da Suécia. Por isso que hoje o Levallois é um clube único dentro da França, pois tem um excelente trabalho de base e de formações de grandes jogadores ( no ano passado em junho houve o Campeonato Europeu Juvenil e 3 atletas do Levallois jogaram por 3 países diferentes: um pela França, outro pela Espanha e outro por Portugal). Estes 3 jogadores são franceses, mas seus pais são destes países de origem então eles tiveram a oportunidade de jogar pelos países de seus pais e avós e jogaram. Eu até que poderia divulgar isso aqui no Brasil na época. "Olha o Blondel colocou 3 atletas em 3 países diferentes no Europeu", mas deixa para lá. Não precisamos dilvulgar ou fazer marketing. Queremos apenas trabalhar e ajudar o nosso esporte a crescer mais.
O Levallois possui cerca de 450 atletas entre crianças e idosos. Possui 10 equipes masculinas disputando o Campeonato francês de equipes. Para vcs terem uma ideía os outros grandes clubes possui apenas 2 ou 3 equipes. Isso somente acontece por o Levallois ter se tornando um grande clube e com uma grande estrutura.
Os trabalhos nas escolas do Levallois não é tão diferente do que fazemos em Marília.

7) Quem para vc hoje, é o melhor jogador brasileiro?
Nelson: Hugo Hoyama. Ele está namorando uma pessoa daqui de Marília e treina com a gente 1 semana em Marília e fica outra semana como o Maurício em São Bernardo. Nos treinos aqui dá para ver que ele é muito forte e nos eventos que realmente valerão vagas internacionais ele jogará como o melhor da América do Sul e das Américas.

8) Hoje em dia as informações chegam com muito mais facilidade aqui no Brasil. Avaliando os métodos utilizados pelos treinadores brasileiros, vc acha que ainda cometemos erros? O que fazer?
Nelson: Os métodos de treinamentos aqui no Brasil utilizados pelos grandes clubes que possui contatos internacionais deixa estes clubes na frente dos demais. Particularmente acho que os erros que temos não é na area técnica e sim na parte administrativa. Aqui em Marília nossos jogadores treinam o mesmo que o Gatien, Chila, Legout, etc. O que falta é aquilo que falei acima: torneios importantes e interessantes e onde TODOS OS ESTADOS do Brasil joguem!
De que adianta termos tantos regulamentos, tantos procedimentos, melhor organziação e site se não temos um programa nacional de treinadores e atletas?

9) Qual o seu sonho, dentro do Tênis de Mesa?
Nelson: Ver um dia as pessoas que administram nosso Tênis de Mesa pararem de falar em dinheiro, em procedimentos, etc e ver o Brasil na primeira divisão e com um campeonato interno forte, interessante e profissional.

10) Deixe uma mensagem para os atletas e treinadores do Vale do Paraíba.
Nelson: Não desistam. Além do Tênis de Mesa, tudo e todos no Brasil está mudando. Não desistam que um dia chegaremos lá!!!!

Obrigado à todos.


Prof. Nelson Machado
ADM-Marília


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